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domingo, 1 de agosto de 2010

Parafraseando Pessoa

Arre, estou farta de semideuses!

Onde é que há gente no mundo?


Basta!

Estou farta da tua correção vernacular

Do teu conhecimento enciclopédico

E das definições dicionarescas dos verbetes

E expressões idiomáticas relacionadas

Ao amor!


Que sabes tu do amor, ó Deus

Sentado em teu pedestal marmóreo

Ouvindo os loás entoados, como mantras

Por tuas virgens vestais?

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sábado, 15 de maio de 2010

Deep diving

Ah, sentimento sem nome!

Ah, ferida que não sara...

A vida escoa para o sumidouro do tempo -

e eu querendo estar nos teus braços.

E eu, querendo estar nos teus braços.

Eu - nos teus braços.

(Eu, morrendo de amor, nos teus braços.)


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Lucky bone

"Quero dividir a minha vida com você"
- eu, ingênua.

Sem palavra, põe sua mão do meu lado
O indicador apontado levanta meu queixo
E o beijo que se segue é a última coisa
Que vou saber...

Seus dedos se afundam em minha pele
Estraçalham a carne em meus quadris
- não sinto nada.

E assim, sem fazer força
Você me parte ao meio:
Vida dividida, como um osso da sorte.

"Hope you're happy now, doll face."
- você, sarcastíco -
para a confusão de sangue, carne, epitélio e gordura
sobre a calçada.

Do bolso do casaco de couro encarnado
um canivete é sacado.
A massa dourada dos meus cabelos em desalinho,
escalpelada
vai parar na sua mochila.
O coração, estripado do peito,
pulsante e vermelho,
perfumado pela paixão
- em suas mãos.

Seus olhos de predador brilham de desejo.
Ainda vejo a saliva que escorre de seus lábios entreabertos.
Você sorri, inala o ar que contém o que restou de mim,
E morde o miocárdio.

Simples assim.

(Nunca foi tão fácil. Talvez por isso. Talvez não. E ainda.)


quarta-feira, 21 de abril de 2010

Tears dried out

Lágrimas

A dor por perdê-lo antes de possuí-lo
Profunda e tangencial - como o vento
O vento em seus cabelos, sua voz tinindo como um címbalo
Sonora e divertida
Doce e infantil

Alguém para cantar a minha dor,
Por favor!

Dispara, aproxima-se a aurora, deixa-me, vá embora
O coração reclama a tua ausência
E chora

Lágrimas

De crocodilo - perdê-lo não era previsto
E ainda mais uma vez, coração
De cara no chão:

Faça tudo de novo - faça não
Repetido até a intervenção
Internação

Repetição

quinta-feira, 11 de março de 2010

Bloody heart

O coração
Num sachêzinho de chá, envolto em gaze
Libera, nessa infusão alcoólica
Amor, dor... Confusão

O coração
Sangrando a amputação
Palpita baixinho:
Senão, se não...

O coração
Cortado em pedaços
No fundo do copo
Dispara - e então

Transita entre os astros
Sem dono e sem mastros
Em que desfraldar
A bandeira do não


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Resposta

Há no silêncio uma voz que fala
Ainda que sozinha
Ao teu coração.

Mas ela não ouve o seu eco
Nem consegue distinguir as palavras que proferiu

Das que lhe foram ditas ao pé do ouvido.

Quando tudo parecia obscuro
ela aprendeu a olhar para o céu
Escuro céu de janeiro
E procurar sinais de fumaça

Back to basics.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Tramp

A fina malha da minha vida se esgarça
E vejo - através do véu das minhas verdades
A mentira que me tornei.

Quantas delas ainda valem,
E quantas já se transformaram em passado?
História e mentira
Se confundindo eternamente
- pois trançadas no tear da vida, constituindo a mesma trama.

Desgastada pelo uso
desbotada e surrada
A mentira - verdade reeditada
volta à moda:

Stoned lies wear.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Imagine us as one...

Como um só.

Enquanto meus olhos puderem percorrer os caminhos
que me levam até você, até a lembrança
de teus olhos nos meus, e do toque de teus dedos grossos,
da tua áspera língua nos meus lábios.

Como um só.

Mesmo à distância, mesmo o espaço
entre nossos corpos, entre nossas vidas reais.
Mesmo no escuro, onde não te posso ver.
Mesmo noutro tempo, onde não há espaço
para te amar...

Como um só.

No hiato entre os infinitos universos de Pullmann,
na eternidade das vidas noturnas e secretas dos
vampiros de Rice, na voz rouca e nas palavras sedosas
da poesia de Cohen - ontem, hoje, sempre.

Como um só.

E não há argumento que me convença
de que não sou tua, de que não podes ser meu.
Somos um. Ambos.
Sob o mesmo Sol - e na escuridão dos céus nublados.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

What if?

O não poder-te me consome...

E já que este é o nosso tema

(eu radical, você vogal temática)

Voltamos ao nosso problema:

E se você estivesse aqui, junto?

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

The strangest thing

Todos aqui, à minha volta

- eu sozinha.

Só, na multidão.

Aí, vem você - na imaginação.

E eu te vejo,

E você sorri,

E o mundo inteiro se abre num desabrochar de primavera.

Eu sei. Você sabe.

Enough...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Sublim(e)inar

As horas nos teus braços são tão breves,

O perfume do teu sim tão sutil,

Que sinto o cheiro do não, exalando forte da caçamba lá na esquina,

Subindo pelo vão do elevador,

Invadindo o apartamento pelas frestas da porta...

E te levando embora - bem na hora do bis.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Love, reedited.

Now that everything's over,

Could we start all over again?

sábado, 12 de dezembro de 2009

Suicidal note

Escrevi um soneto de adoração,
para rivalizar com qualquer um de Vinícius!

E você não leu.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Outsider

Numa família de políticos, um inocente.
Numa família de artistas, um inepto.
Numa família de populares, um infame.
Numa família de iletrados, um erudito.

Numa família de informais, um solene.
Numa família de destros, um sinistro.
Numa família de toscos, um sublime.
Numa família de violentos, um pacifista.

Ficou de fora por não adequar-se à forma
E deitou fora o nome - e o renome.
Na balança, prós e contras

Não encontraram equilíbrio.
E seguiram paralelos - de encontro marcado
No infinito.




segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Eyes wide shut

Feche os olhos
Você não vai gostar de ver meu corpo dilacerado

Feche os olhos
Você não vai gostar de ver o que só em seus delírios mais insanos
Imaginou

Feche os olhos
Sacuda a cabeça
Peça, implore aos céus que seja apenas um sonho

Mantenha seus olhos fechados

(Talvez seja melhor assim)

As regras do rolê

As regras do rolê são bastantes simples: Fode, mas não se apaixona. Se apaixonar, não fode mais, pra não se foder depois. Tudo o que te ...